Lugar.

B17BA81F-FAC4-4A39-A494-6AAB42C8C247Eu sei o vazio que eu deixei, e o  lugar que ocupo, nossos corpos se perderam em meios de outros corpos e silêncios absolutos. E eu não vou assumir essa responsabilidade, eu não vou dizer o seu nome com ar de saudade, por que esse já não é o meu papel. 

O tempo passou, a gente mudou, e eu não quero voltar a ser o que já fui. 

“Temos um alguém reservado para cada pessoa.”

Ou para nós mesmos. 

Eu nunca fui, eu sempre estive, acontece que eu não sou mais, eu não pertenço mais. 

Eu sempre fui a que menos recebia e a que doava demais, acreditava demais. 

Eu não preciso que me coloque num lugar sombrio no teu peito, eu não pedi esse lugar, é um efeito quase que linear dizer isso, mas eu sou bem direta. 

O lugar que eu habitei não é mais convidativo 

Eu sou o meu próprio lugar 

Eu sei bem onde piso 

E eu não caminho em linha reta. 

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Lençóis, corpo só

poesia

Nos meus tropeços

Mergulho de cabeça em você, de novo

Esse rosto, eu conheço

Me parece suposto

Suposto amor

Suposto alguém

Suposto gosto.

Mãos que me acariciam

Não tocariam

O meu eu não exposto.

Falo de gosto, de gesto

Da boca que encaixa

Mas no interno, desconexo

E nesse desencaixe

É que eu volto a me encaixar em nós

Eu dei o nome de saudade

E encoberto qualquer sinal

Assim como cubro meu corpo

Debaixo de outros lençóis.

“Nesses lençóis, corpo cru, corpo só, mas nunca nós.”

Quase tudo

Conhecendo novos corpos

Experimentando novas salivas

Tento me curar

Mas toda vez que isso acontece

Abro novas feridas

A esquina anda vazia

Esperando por seus andares

Meu olhar sonso ainda sacia

A volta dos seus olhares

Minha boca não se contenta com pouco

Nada se encaixa

Nem o toque

Nem a palma

Nem a lábia

Meu íntimo intocável assusta

Ele reconhece suas mãos

Minhas poucas palavras, insinua

O que meus lábios dizem que não.

Que nos meus desalinhos

Fique claro o que não consigo dizer

Que tudo que eu não digo te toque

Mas que nunca soe blasé

A minha liberdade me aprisiona

Por que metade de mim é livre

Outra metade foi com você.

– Stephanie Cristine

 

Mãos

C02EA090-3B2F-46ED-BF10-9E1DD67C56BDSuas mãos não me aquecem mais

Nem suas palavras me convencem 

Eu sei, nem todos são iguais 

Mas a vontade de ser minha, vence 

Dizem que sou bloqueada

Eu descordo, fecho a cara 

E me questiono se essas afirmações 

Estão realmente erradas.

Me pediram pra eu procurar uma cura 

Algo que me revivesse 

Algo que quebrasse minha armadura 

Mas eu sempre nego, não mato minhas sedes 

Minha boca fala demais, mas eu nunca revelo. 

Quebrei o elo, ando seguindo linhas paralelas 

Não te sinto mais 

Se for pra morrer de amor, que seja com elas 

Por que cansei de me tornar grande demais 

Ao que nem se quer me engrandece 

Ando procurando paz

Aonde outras mãos

Ainda me aquecem. 

Desvantagem

Me tornei o tipo de pessoa que eu mais temia 

A que não sente nada 

Disfarça, reluta e mata 

As palavras contidas 

A saliva guardada 

Os beijos de despedidas 

A que mais mente que não sente nada. 

Se é que é mentira. 

Sinto que a minha pele não quer mais contato 

Ela mesma se rasgou e se tornou o meu horror 

Escondendo o meu medo de laços 

Camuflando o meu pavor do amor 

Lutando junto com os meus acasos

Sinto dizer, mas não sinto nada 

Gota a gota escorreu tudo que eu sentia 

Letra a letra eu reescrevi tudo aquilo que eu omitia 

A realidade é outra 

Eu sinto que falo muito 

Mas toda falácia parece pouca. 

Estou tão anestesiada

Vazia e esquisita 

Eu sinto tanto mas não sinto nada 

Acho que toda repulsão do sentir 

É só mais uma tentativa de me ver acanhada 

A falta de ser acariciada 

Um alívio de ser autodidata 

Ser 

Sentir no sexto sentido 

Fazer valer o que sempre invalido 

Não dizer o que sinto parece melhor 

Sentir muito dói demais 

Não sentir nada é mil vezes pior. 

Anotado, a-nota-do.

Não sei mais o que empata o que sinto 

O jeito que me toca com suas palavras 

Ou o jeito que me come com seus olhares famintos.

Dúvida impermutável, olhos profundos

Jeito indecifrável

Meus lábios mudos, pedem o que eu não falo 

O meu jeito obscuro, esconde o que há de mais claro.

Recordações resumidas á lacunas 

Nada preenche o que guardo no peito 

São mesmo verdades profundas

Coisas reais que eu mais receio. 

E todo relance vira verso, vira avesso, não são apagados 

E eu sempre te reinvento nos meus espaços vagos.

Nota que você nunca notou.

Tentativa

Continuo tentando, eu sobrevivo, eu sinto, eu estou tentando.

Juro que tenho tentado ser o que mostro ser

No meu íntimo, no meu infinito

Eu te sinto, eu te sinto.

Tenho vivido lutas gritantes

Passado por infernos constantes

Tudo isso pra evitar o seu olhar penetrante

Os olhos mais rasos e marcantes que já vi

O qual de fato, enxerguei

O qual de fato, senti

Mas não o único que de fato, amei.

É duro dizer, é duro mais ainda falar que não sente

É engraçado me ver tão feliz sozinha

Quando sou eu a pessoa que mais mente.

Não te sinto, repito sempre

Minha intuição incansavel-mente me diz: não tente

Eu a escuto e não rebato

Foi por deixa-la de escutar algumas vezes

Que tive que lidar com amores falsos.

Estou tentando, mas se eu deixar de te sentir, não escrevo, e deixar de escrever não está nos meus planos. 

Muda-mos

Você escreve que fomos feitos um pro outro

E reclama que eu não noto

Eu não só noto, eu faço notas do nosso estado monótono

Eu amo como escreve bonito e faz errado

Eu odeio te ver partindo, mas é pior se eu te querer ao meu lado

Parece injusto, quem me ver falando sobre quem fomos

Não imagina o quão difícil foi, intensi- ficamos.

Intenso, insento de tudo

Sentimento, envolvimento

Silêncio absoluto

Ambas as partes sentem, ambas as partes sabem

Ambas as partes mentem, nenhum de nós falamos a verdade.

Você me teve quando nem eu mesma me tinha

Eu que sempre fui de falar tudo, calada eu me mantia

Me sentia suja

Eu odeio sentir calada

Eu odeio gritar estando muda.

Eu sempre quis ouvir-te dizer

Não coisas clichês, com mentiras ou rimas baratas

Mas coisas que ressurgissem da alma, do coração

Mas você nunca disse uma palavra, eu escorri pelas suas mãos

Fui liquidada, sua liquidez afogou meu coração.

 

Verdades sobre você e eu.

Você me ver, mas não me enxerga

Ler o que escrevo, mas não interpreta

Eu cansei dos seus elogios baratos

Das suas palavras tão usadas

Das gírias do seu vocabulário

Das suas mensagens ultrapassadas.

Seu olho me devora como um cão faminto

Eu faço descaso, fujo do impacto

Omito o que sinto.

Numa noite de sábado compro um vinho barato

E sinto o peso, a amargura

Ele só me traz você no peito

Meu coração simulta.

Me mantenho muda, enquanto meus versos gritam

Eu banco a sumida, mas não desfaço o meu instinto

Instinto esse que sente mas não fala

Seus dedos digitam desejo, mas as palavras da sua boca são escassas.

 

Assalto há amor amargo.

A noite entrega os meus fatos 

Passo dias sentindo saudades 

Ensaiando certos diálogos

Sinto o peso da ansiedade 

Penso sobre o que é necessário.

Ontem eu disse que não queria mais ver você 

Hoje já reneguei, meu mal não é sentir

É ser 

To me sentindo perdida mais uma vez 

E nenhuma bebida supre esse cansativo querer. 

Os bares estão cheios de pessoas vazias 

Eu sei que sou uma delas 

O álcool me dar azia 

Nenhum gole cura minhas sequelas 

Os amargos do passado me assusta 

Todo mundo tentando se curar de algo 

A vida continua injusta 

O amor tentando ser libertado 

Mas toda tentativa se torna reclusa. 

Por isso pago multas 

Enquanto você está distante de mim 

Sua presença imaginária 

Arrepia minha nuca 

E a minha vontade renasce 

Enquanto sua ausência me furta.